As cidades e a memória
1º lugar | 8º ano • As cidades e a memória
Uma nova história para contar
Estava nublado. Era a minha primeira semana morando na liberdade. E não podia esperar para memorizar todas as ruas, conhecer os vizinhos, os melhores restaurantes... Enfim, fazer parte do coletivo, da cultura daquele grupo. Mas tinha um problema: eu não era japonesa, chinesa ou coreana. Não lia mangás e nem assistia animes. Eu era uma mulher negra morando na liberdade.
Sentei no sofá, olhei para o teto e comecei a refletir. Parecia que o bairro não tinha espaço para mim. Era como se essa parte da cidade já tivesse absorvido tudo o possível e, comigo lá dentro, transbordasse. Levantei, olhei para a janela do apartamento e resolvi dar uma volta.
Fui atravessando as ruas, passando pelas lojinhas e os postes. Encontrei uma anormalidade na paisagem: dentre todas as atrações que refletiam a cultura nipônica, eu encontrei uma pequena igrejinha. Resolvi entrar e não acreditei no que vi. Pareciam escravos, em uma fila para serem enforcados. Vi uma senhoria e perguntei a onde estávamos. “são paulo querida, 1803”, ela disse. Nesse momento, saí correndo pela porta. Não era possível aquilo, tudo estava normal lá fora. Entrei de novo na capela e nada mais estava lá. Não sei se estava louca, mas eu acabara de ver o bairro da liberdade 200 anos no passado, um bairro de escravos.
Foi então que eu percebi que duas culturas podem coexistir no mesmo espaço, e era a minha missão contar a história que poucos conhecem.
2º lugar | 8º ano • As cidades e a memória
Metrô
Lisa era uma estudante no bairro da liberdade e era comum que em sua rotina pegasse o metrô para ir até a sua faculdade. Até que um dia, acabou adormecendo no banco e perdeu sua parada. Ao acordar ela percebeu que não havia mais ninguém com ela, as luzes piscavam levemente e ela sentia uma grande dor de cabeça. Ao olhar pela janela do vagão, ela notou que a estação estava totalmente vazia.
Lisa então pegou seu celular e ligou o flash, já que o local estava muito escuro e começou a se esquivar por alguns corredores que podia encontrar. Ao notar algumas placas e mapas notou que estava em uma estacão como se não existisse, não havia registros ou localização; apenas o escuro e esquecimento. A menina notou uma luz vermelha no fim do corredor.
Primeiramente a menina hesitou, mas ao pensar poder ser uma luz da saída, começou a seguir. O corredor era longo e a luz cada vez mais forte. Ao chegar na esquina espiou com sua cabeça, fazendo ficar paralizada ao ver. Os olhos de lisa se arregalaram ao encontrar um santuário repleto de velas ainda acessas e jornais espalhados. Ao notar na parede via se duas estátuas dos cães que representavam a vida e a morte. Ao olhar com mais atenção a sala começou a se parecer um cemitério com ossadas antigas e com a impressão de ter sido esquecidas por decadás, sendo guardadas as histórias e memórias. Antes que lisa pudesse ler alguns dos jornais, começou a ouvir barulhos de arranhões e latidos.
Lisa se assustou e entendeu bem o recado, ela havia entrado em terrítorio de antigas comunidades que habitaram aquele bairro. Desesperada ela começou a correr sem ao menos se perguntar para onde estava indo. Seus passos ecoavam pelos corredores enquanto sentia a presença de dois cachorros correndo atrás dela, até que acabou tropeçando em cima de uma porta e fechou os olhos.
Ao abrir, se deu conta que estava no chão onde parecia ser um estacionamento em um becô, com várias pessoas ao seu redor a ajudando a levantar, ainda se sentindo tonta e confusa, olhou para trás, percebendo que a porta de onde havia saído, pertencia a uma pequena “casa” que era um santuário, do ultimo que sobrou da comunidade negra no bairro.
3º lugar | 8º ano • As cidades e a memória
Hoje eu irei contar uma história muito estranha que aconteceu comigo uma vez... Desde pequeno, eu sempre tive o costume de toda noite, antes de dormir, ouvir meus bisavós já falecidos contarem acontecimentos impactantes a respeito da cultura negra do bairro quem morava: o bairro da Liberdade. Sempre me falavam dos negros escravizados que lá eram enforcados e, inclusive, quase toda minha linhagem familiar pertencia a esse grupo de pessoas. Também sempre me apresentavam imagens do bairro de antigamente e retratos das pessoas de lá.
Anos depois, quando eu já tinha uns 65 anos, eu já morava em outro bairro. Meus parentes todos também estavam mortos. No entanto, resolvi visitar a Liberdade para matar um pouco das saudades, já que fazia tempo que eu não a visitava. De fato, sua arquitetura estava muito diferente. Não havia quase nenhum elemento da cultura negra: só casas e construções orientais. Fiquei chateado e resolvi ir a um baile que eu costumava frequentar na adolescência. Tudo já estava velho e abandonado, fiquei com pena do lugar. Bebi um pouco ao caminhar pelos arredores do bairro até que eu me “dei de cara” com a Capela dos Aflitos: uma capela importantíssima para a história dos negros. Foi então que passou uma brisa bem forte em mim...
Em um piscar de olhos via a cidade completamente diferente! Todos aspectos urbanos e orientais de lá não existia mais. Parecia que eu tinha voltado no tempo, o bairro estava idêntico aos retratos que meu bisavô me mostrava: como se o tempo da escravidão estivesse de volta, a arquitetura estava idêntica. Explorei a região e vi meus parentes lá. Meu avô, bisavô, tataravô, etc. Mas como podiam estar vivos? Todos já tinham morrido há décadas. Não demorou muito tempo para a brisa voltar e eu acordar em frente à capela.
Na semana seguinte fui ao baile abandonado do bairro novamente, mas não senti a brisa. No entanto, ao anoitecer, acabei passando pela Capela dos Aflitos e finalmente, como o desejado, senti a brisa forte! Que nem o esperado voltei para a região estranha que se assemelhava muito ao passado. Resolvi sair da capela e foi aí que eu senti o clima mais pesado e esquisito, não estava normal.
Vi meus parentes, mas desta vez eles estavam longe, desaparecendo. Fui explorar o bairro, mas tudo estava esquisito. Vi construções serem demolidas, pessoas parando de se importar com minha tão amada cultura, todas as tragédias! Até que depois de um tempo, tudo começou a se desfazer!
Corri que nem um louco. Tudo estava caindo, ficando invisível. Como se minha tão amada cultura tivesse sido esquecida. Enquanto corria, acabei tropeçando e cai
Acordei no chão e nunca mais soube o que de fato havia acontecido lá. Será que foi um sonho de um idoso relembrando memórias esquecidas do passado? Ou talvez eu realmente vi os espíritos de meus parentes na época do passado? Antes da minha cultura ser esquecida.
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