Muros visíveis e invisíveis na Cidade: preconceito e gentrificação
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O preconceito nas cidades
As estruturas das cidades modernas, mesmo que trazendo diversos benefícios às pessoas de mais alta renda, trazem também diversos malefícios para aqueles que possuem menor renda. Um desses malefícios, sendo o reforço de certos preconceitos ja existentes.
Processos como a gentrificação, geram uma segregação baseada na renda da população. Isso acontece, pois os mais ricos vêem valor em uma região e se mudam para lá, gerando um aumento do valor da região no mercado imobiliário e um aumento no custo de vida geral, “forçando” aqueles mais pobres a acharem uma região nova para morarem, geralmente com uma qualidade de vida menor, por causa do custo de vida e sua baixa renda.
Essa mudança é o que acaba formando os tais “bairros” de má reputação”, que são nomeados assim não só pela qualidade física da região, mas também por causa de seus moradores, que são vistos pelos mais ricos com um olhar negativo e pejorativo; reforçando o preconceito dentro das cidades.
Além claro, a falta de interesse em ajudar os mais necessitados (moradores dessas regiões) por parte do governo e dos mais ricos, pode também indicar um preconceito e uma falta de empatia simplesmente por causa da raça, local de nascença ou renda de um indivíduo.
Para concluir, as estruturas das cidades reforçam os preconceitos ja existentes, seja por causa da segregação, seja por causa de uma falta de empatia dos indivíduos de qualidade de vida e renda maior.
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Segregação socio-espacial: quem organiza os espaços urbanos?
As cidades são os espaços em que membros de determinadas sociedades convivem entre si e modificam a paisagem que os cerca. Portanto, são locais que podem evidenciar relações sociais e econômicas, bem como suas fragilidades. De acordo com um trecho do livro “O Mundo de Sofia”, Karl Marx foi o primeiro a propor um sentido prático para a Filosofia e apontou tais relações como a base de uma sociedade. Além disso, argumentava que a ordem econômica impactava os corpos sociais e suas posturas de adotar ou não medidas. Por conta disso, acredito que as cidades promovem a manutenção do preconceito ao serem organizadas a partir dos desejos da classe dominante, que não tem a intenção de alterar os meios de produção.
Um exemplo histórico está presente na Inglaterra do século XIX. Durante a Revolução Industrial, construíram-se os bairros operários: regiões afastadas do centro, com péssima infraestrutura, onde moravam os trabalhadores. As residências abrigavam inúmeras famílias, deixando-as à margem dos locais onde os planos urbanos eram elaborados por seus patrões. Os projetos da maior parte das cidades do mundo buscam manter os privilégios das classes dominantes. Isto explica o fato de muitos outros, até mais eficientes que os atuais, não terem se concretizado. No livro “As cidades invisíveis”, de Italo Calvino, páginas 14 e 15, o assunto é abordado de forma metafórica. Estas cidades invisíveis seriam, em suma, os projetos urbanos que não tiveram sucesso, pois buscavam o bem estar da maior parte da população e não apenas das camadas mais abastadas.
Em conclusão, penso que as cidades podem ser utilizadas como mecanismo de opressão e segregação socio-espacial quando organizadas de modo que não atendam às necessidades populares. Mesmo quando classes diferentes coexistem, há uma tensão que acaba resultando na saída das pessoas de baixa renda de locais valorizados pela alta sociedade.
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O Preconceito na Estrutura das Cidades
Em seu livro “As cidades invisíveis”, Italo Calvino, por meio da personagem Marco Polo, descreve diversas cidades usadas como metáforas. Entre elas, Fedora possui diversas esferas de vidro com maquetes de projetos pata tornar Fedora a cidade ideal. Cada miniatura representa o que a cidade poderia ter sido, mas ao final da criação das mesmas Fedora já não era mais a mesma, dificultando a implementação do projeto. Assim, essa passagem sugere que as cidades estão em constante transformação, o que pode influenciar de maneira positiva ou negativa a manutenção do preconceito.
As relações sociais nas cidades muitas vezes são marcadas por preconceito, o que pode levar a mudanças na estrutura das cidades que gerem ainda mais preconceito. Segundo Marx, as relações socios, econômicas e culturais são a base da sociedade, e a forma como as pessoas se inserem nela assim como governo, leis, arte, ciência, etc são a superestrutura. Ambas se influenciam diretamente, de forma que relações preconceituosas levam a mudanças, normalmente controladas pelas classes dominantes, na superestrutura que contribuem para intensificação do pré conceito com camadas desfavorecidas, o que se repete em um ciclo.
Um exemplo de alteração física nas cidades que se alinha às ideias de Marx é a gentrificação. Esse conceito se refere ao processo de mudança na paisagem de locais antes degradados e habitados por classes não privilegiadas, que passam a atrair pessoas com rendas mais elevadas que por sua vez atraem novos estabelecimentos. Esse processo aumenta o custo de vida na região o que gradualmente “expulsa” os moradores antigos. Isso reduz a integração das classes e “obriga” as pessoas desfavorecidas a se mudarem e viverem a margem da sociedade intensificando o preconceito.
Portanto as transformações constantes nas cidades normalmente são influenciadas pelas relações preconceituosas na base, como a gentrificação, e contribuem para mudanças na superestrutura que promovem a manutenção do preconceito. Assim, para combater esse problema é necessário alterar as relações preconceituosas na base da sociedade, buscando a inclusão e participação de todos.
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